espaço
Chorar não me é raro. Não é sinonimo das lágrimas que correm pelo rosto. Chorar é sentir dor e, muitas vezes, sorrir com os lábios. Expressões não dizem tudo, mas meus olhos falam por mim.
Ontém, problemas me acordaram. Acordar com problemas sussurrando em seu ouvido não é a melhor maneira de se deixar a cama, ainda mais quando os problemas gritam, discutem, falam alto e naquele tom que te faz tremer. Levantei-me e nada fiz. Deixei meu quarto, fui à cozinha e "admirando" o problema, dessa vez calado, fiquei assistindo ao espetáculo. Chorava, sorrindo, mas chorava. Sorria. Descarte o real significado de "sorrir".
Meu dia começou.
Era meu dia de folga, de ficar em casa, mas nem a internet, nem doces amigos me prendereram no computador.
Sai.
Sai e logo a dona Chuva veio atrás.
Andando, sozinho, pensava no dia em que estava tendo e antes que a dona Chuva me alcançasse, cheguei.
Naquela tarde do dia 18 de março de 2009 fui á praça, tomar sorvete e, como no "Castelinho de Batatas-Fritas", me isolar e, assim, tentar me ajudar. Fugir de mim e de todos. Tomando um sorvete a 4 ou 5 quarteirões longe de casa. Foi uma grande fuga.
Percebi que momentos como esses nos fazem pior do que estávamos. Apenas isso.
"Moça, quero um copo recheado de Ferrero Rochêr e Não Lembro o Outro"
Sentei-me, e tomei meu copo recheado.
Foi-se o sorvete.
A Dona Chuva não queria ir embora.
"Hummm... O que é colegial? E sunday? Quantas bolas vem no banana split? Ah, quero um colegial."
A Dona Chuva não queria ir embora.
"Hummm... O que é colegial? E sunday? Quantas bolas vem no banana split? Ah, quero um colegial."
Tomei o colegial.
Foi-se o sorvete.
E a Dona Chuva teimava em ficar. Senhora chata essa, pelo menos naquela hora (foi bom pra dar o clima mais deprê á história... enfim)
"Ah... essa chuva não passa... e já que estou aqui... hummm... quanto tá aquele salgadinho ali?Ah... pega um pra mim... e a coca? hummm... posso pegar ali na geladeira? brigado!
Sentado na sorveteria, vendo a chuva que já parecia o MST se apossando do lugar, comia meu sagadinho de cebola de uma marca que ninguém conhece, tomando Coca-Cola .
Foi-se o lanchinho.
Nem preciso dizer quem ainda estava lá, né? Sim! A Dona Chuva.
"Ah moça, vou embora assim mesmo. Obrigado! Tchau!"
Atravessei a rua, e a chuva me molhou. Fiquei com friu. Lá estava, á alguns passos a frente, o lugar onde os mais velhos e desocupados jogam bótia, na praça. Lá tinha "teto" e corri pra lá. Sentei-me ali atrás. Não parava de ventar. Não parava de chover. Não parava de me encolher.
Fiquei triste, again. O que os sorvetes, o salgadinho e a coca me fizeram passar, o vento friu e a chuva trouxeram de volta.
Pensava mais uma vez no meu dia. Problemas. Então meu celular vibrou. Estava no silencioso.
"Don't you worry, be happy :)"
Era uma mensagem. Um amigo, doce amigo havia se lembrado de mim.
Meus olhos ameaçaram fazer xixi.
Incrivelmente, instantes depois do sms no celular o céu cessou e parou de chover. Seria a mensagem "dança do sol" que meu amigo mandou? Bom, o que sei é que nem dança da chuva traria aquela chuva de volta, pela menos naquela hora.
Levantei-me, feliz por alguém ter me "visto" chorar, mesmo sem nem ter olhado-me nos olhos. Era aquele doce amigo (nem doces amigos me prendereram no computador). Aquele que me ouvia antes de sair, ter a Dona Chuva me perseguindo, tomar os sorvetes e blá blá blá...
Meu dia não terminou aqui, nem sequer metade dele havia passado, mas isso já é assunto pra outro post.
Muitas vezes choramos, choro, poucos vêem.
Maquilagem esconde imperfeições. Eu escondo lágrimas.
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